terça-feira, 18 de abril de 2017

"Eu vi Deus e ele era uma mulher preta"

Lutar por algo que não faz parte do seu cotidiano deve realmente ser fora do comum, a vontade de ajudar além de uma tela de LCD ou de um papel sujo de grafite 0.7 pulsa a todo momento, mesmo naqueles dias mais inconvenientes, quando estamos sensíveis e queremos apenas um ombro amigo ou um abraço maternal. São esses dias que pegam a gente de jeito, que nos mostram que a luta pelo próximo também é sua, não é mesmo? A três anos e meio minha respiração tem sido parte de um lápis e um papel, do tentar ajudar, do tentar entender, do não se conformar de ter e o outro não, das oportunidades e da vontade de fazer diferente. E venho percebido que essa luta começa por mim mesma, em aceitar que posso ser resistência, ser mais do que um grafite de ponta fraca e seca, sempre gostei mesmo de grafite integral. Essa luta interna de auto reconhecimento é como um nado contra a correnteza, porque não importa a quantidade de força que você faça para avançar, alguns pensamentos te levam para o outro sentido, e toda essa loucura interna de si mesma é realmente irritante, você quer ser luta, mas luta por não ser porque sabe que ser é realmente muito difícil. Mas deve ser um sentimento humano não é mesmo, somos seres medrosos, prontos para acreditar que ser individual é melhor que ser coletivo, que amar a si mesmo é mais importante que amar a todos, que lutar por sonhos individuais é realmente muito mais recompensador do que interessar-se por sonhos em conjunto! Hoje eu vi pessoas que lutam pelo bem mais importante da nossa vida: a moradia. Não é assim tão simples quanto parece, vivo escutando da boca de professores o quanto a causa é grande, o quanto precisamos entender sobre o assunto, afinal, arquitetura é moradia! Eu sou moradia e você também! O ponto é que vi gente que tem uma laje apoiada em pilar com algum tipo de estrutura lutando por pessoas que não tem, seres humanos como nós, com sentimentos fortes e sonhos coletivos, que derrubam lágrimas tão doloridas quanto aquelas que fingimos não existir na luz apagada de nosso aconchego. Essas pessoas existem, e eu quero ser forte como elas.

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