quarta-feira, 3 de agosto de 2016

É um querer mais que bem querer

Se o dom fosse algo subjetivo ele teria cheiro de grafite para mim, um grafite bem gasto, que lapida paralelepípedos brutos. E o paralelepípedo por si só torna-se algo vivo, um ambiente perpetuo até que se prove o contrário ou que se destrua. Então o grafite traz de fora do perímetro de área quadrada e extrapola para o externo e assim modifica-se. Agora mais verdadeiro e real, próximo a tudo que o cerca e nem um pouco alheio, ele torna-se espaço. 

E espaço diga-se de passagem precisa de muita analise para ser espaço, senão é um simples quadrado de preenchimentos -ou não preenchimentos- um vazio mal aproveitado que não contribui. E é nessa parte que eu amo deslizar esse grafite que traz um pouquinho de brisa no deserto, é neste momento que podemos aquarelar com a nossa cor, de maneira quente, ou de maneira fria, mas sempre muito concisa! 

E é nesse grafite de ponta tão fina que chega a virar cerdas sintéticas de vez em quando que eu coloco minhas mãos e tento da maneira mais livre e presa as pessoas desenhar meus princípios. Sempre muito íntegros, sociais e conscientes. Sempre intermináveis e ansiosos. Sempre muito saudosos para com um moderno concreto que transforma-se em um contemporâneo de barro.

E por ultimo, esse grafite não almeja grandeza, não almeja ser conhecido e aclamado pelo traço perfeito. Ele quer ser visto pela quantidade de linhas erradas, pelas horas de conversas que renderam traços tortos. Ele quer ser nada menos que uma linha curva, que no fim nada mais é que um ponto que saiu de uma pedra, e esta por vez que saiu de quem mais importa. a natureza.