domingo, 18 de outubro de 2015

Brisa

As vezes a saudade bate como uma brisa leve, desimpedida que te pega de surpresa em meio a tantos edifícios na cidade. E então você se lembra dela, da natureza, esquecida em seus pensamentos, reprimida em pequenos espaços vazios, sem muito uso, sem muita força. Que coisa! É tanta vitalidade e como podemos nos esquecer dela? Ela quer ser mais, quer mostrar a cidade que veio antes dela, quer crescer suas raízes e deixar clara sua longevidade. E é por mais espaço para ela que escrevo, por mais espaços silenciosos, por mais brisas que tragam cheiro de terra, por mais cantorias de pássaros do que buzinas de carros.

Quero mais Itamambuca, quero poder me perder de novo olhando a paisagem completamente verde e sentir que a natureza toca mais do que muita gente, porque falta aquela energia da fogueira queimando, da onda quebrando, do branco da espuma se dissipando, do céu estrelado e infinito que se confunde na imensidão do mar. E essa energia muda pensamentos, acalma tormentos e liberta. Nossa...como liberta! E é por isso que acredito que o renovar está totalmente ligado a um reconectar-se com ela.

domingo, 20 de setembro de 2015

Vila Itororó



Esse lugar me fez refletir a semana inteira, como pode isso estar escondido em meio a cidade?
Tenho certeza que muitas pessoas que passam em frente ao galpão - aparentemente abandonado - jamais perceberam o relógio que não anda a partir daquela entrada.
Não tem explicação para as sensações que senti neste lugar, muito menos para tudo que pude absorver diante toda a dificuldade que apenas se sente, e só se sente se você se permitir.

Toda a vila estava parada no tempo em meio a cidade maluca que é São Paulo, acordada vinte e quatro horas e mesmo assim temos uma quadra, da qual conheço, que dorme. Dorme na escuridão de tantas histórias rompidas. Dorme junto as risadas de crianças na piscina. Dorme junto das angustias pela expulsão de tanta gente vivida. Dorme ainda, enquanto é esquecida.

Mas esse sono cessa quando se chega perto, não tem o que fazer diante tanta energia concentrada, a gente simplesmente sente, tudo o que se passou e o que ainda ficou naquela vila. Que é sustentada por estruturas tão precárias, pilares tão finos que parece que tudo vai desmoronar naquele instante, porque é tudo muito instável.

É tudo muito surpreendente por ainda estar de pé, o palecete é um absurdo, com colunas gregas, leões nas entradas, esculturas de mulheres, mas o mais maluco é a quantidade de porta que dá em outra porta, me lembrou muito das aulas de urbanismo, da visão serial de Gordon Cullen, é tudo misterioso, porque eu quis entrar em cada porta daquela, mesmo diante de tanta energia pesada, eu queria me arriscar e descobrir a próxima porta.

E ainda, diante de tudo isso, a vila vive de uma maneira doida, porque ela ensina e eu sei que ensina muita gente, pois vi em cada rostinho que vivenciou aquele momento, que aprenderam algo com a realidade que é a remoção das pessoas, e sei que no fundo é isso que importa.

Que cause estranhamento, mas que impacte.




 












quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

... das estrelas

Você já sentiu uma dor tão forte no peito? Uma dor inexplicável racionalmente? Eu diria que biologicamente também, pois não há como explicar a dor de uma perda. Este ano que se foi, levou consigo alguém, mas me trouxe alguns pensamentos sobre o que a vida significa.

Será que a vida significa tempo? O tempo de estar atrasado.O tempo de não perder uma entrevista. O tempo de estar com alguém. Ou o tempo de não estar?
Mas talvez a vida signifique riqueza. A riqueza que traz poder. A riqueza que gera inveja. A riqueza que gera luxuria. Ou a riqueza que mata?

Pensei muito sobre como vivemos, como almejamos um futuro promissor e na maneira como as pessoas tratam umas as outras, com, muitas vezes, desrespeito. E me perguntei incansavelmente: como chegamos a está situação? Porque não nos importarmos se todos iremos embora um dia?

A vida é como um fio de barbante, em algum momento ele irá ser cortado e caso isso não aconteça o rolo acabará. Tudo é infinitamente curto. Aquele tempo que você deixou passar com seus amigos porque tinha muito trabalho para fazer. Aquele dia que não conseguiu ficar ao lado de quem ama porque não teve tempo. O dia em que se irritou tanto com a atitude de alguém e não foi se reconciliar. Nenhum desses momentos podem voltar, porque o barbante sempre corre, e por mais que você tente enrola-lo novamente ele nunca terá a mesma textura.

Então, depois de tantas divagações, ainda tinha perguntas: O que significa a vida?
Será que aquele momento único, quando subimos em um tronco de arvore, mais próximos da natureza, e vemos o por do sol de longe, alaranjado, será que este momento de felicidade pode resumir-se ao que temos de melhor na vida? Será que são esses os pequenos significados de viver?

Entretanto, quando me deparei com pessoas chorando e refletindo sobre o que a morte trás, o barbante tornou-se resistente para mim e eu vi que a vida nada mais é que amor. Porque diante dele nós perdoamos qualquer mal entendido. Porque diante dele nos sofremos. Porque diante dele renovamos nossas energias. Diante dele,,, somos mais fortes.
E diante dele desenrolamos o barbante sem medo, porque por mais que erremos, sabemos que estamos fazendo nosso melhor.


Que você brilhe ai em cima, L.