sábado, 10 de maio de 2014

Sol

Durante três anos vi metade de mim partir, a minha parte que ansiava pela constante escrita, pelo constante desabafo de minha alma que tanto sufoca diante de todos os acontecimentos ao meu redor. Eu perdi essa sensibilidade diante da bitolação que é o vestibular.

Regras! Grande merda... me ensinaram como escrever corretamente, como criar argumentos sólidos, como convencer alguém. Mas, e como fazer as pessoas sentirem? Isso não me explicaram, porque sentir não é palpável e vestibular é racional demais, racional demais para meu ser.

Quero extrapolar, quero viver, sentir, convergir! Cansei dessas regras sem sentidos, quero deixar meus pensamentos fluírem como um artista impressionista deixa seu traçado aparecer. Não quero a métrica da perspectiva de Rafael, quero as pinceladas de Monet.

Deixem-me voltar a ser quem eu era, sem reprimir minhas vontades, cansei de ser uma reta paralela que nunca converge. CANSEI! Quero ser quem sempre fui... sentimentos a flor da pele, dane-se as consequências!

Obrigada Arquitetura, sinto que ao seu lado posso ser quem sempre fui, posso deixar minha verdadeira essência florescer!

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E então nos afastamos, como dois produtos incompatíveis, água e óleo, não se misturam mesmo. Onde estava com a cabeça quando pensei que insistir nessa relação seria algo construtivo. Na realidade são nessas relações que aprendemos mais, cada dia um novo desafio. Foi assim durante nove anos. Fui feliz, fui triste, fui determinada, fui desanimada, agora, talvez esquecida. Não importa, eu sei que você não lerá esse texto, mas um dia anseio que seus olhos compreendam estas palavras. Sinto sua falta, mas sinto que não posso mais correr atras, a magoa ainda está em mim, senti-me deixada de lado e isso dói e não sei quando vou curar minha pequena ferida. Talvez seja egoísta, mas preciso de um tempo para compreender que não posso cobrar de meus amigos e amores que sejam tão intensos quanto espero . Ainda aguardo secretamente um pedido embebido em sinceridade, pedido esse que amoleça meu coração endurecido.

Este texto está tão inconstante quanto meus sentimentos. Quero, mas não quero. Sinto, mas não sinto. Choro, mas sorrio. Começo e não termino...